Juliana Padron é DESIGNER, TRABALHA EM UM PROVEDOR DE HOSPEDAGEM DE SITES, ONDE TAMBÉM ADMINISTRA UM BLOG, ESCREVE PARA O iMASTERS, TEM COVINHAS QUE MAIS PARECEM CELULITES FACIAIS E GOSTA DE CACHORROS, DE DESPERATE HOUSEWIVES, MOUSSE DE LIMÃO, HÜSKER DÜ, SLAYER E DO GiL. NÃO TEM ORKUT, JÁ FOI BAIXISTA E ACREDITA QUE, UM DIA, TERÁ SEU NOME NA DEDICATÓRIA DE UM LIVRO DE STEPHEN KING [COITADA]. ABOMINA TEXTOS iXcLituX aXiM E TEM PAVOR, PÂNICO, FOBIA DE BORBOLETAS. SERES ASQUEROSOS. ADORA GIBIS DA TURMA DA MÔNICA. SÓ NÃO SAPATEIA E NEM DANÇA RUMBA, COMO A MÃE DO CASCÃO. [MAS CONTINUE LENDO]
Comunicação Digital, Design, Webmarketing, Webstandards e outras Webcoisas...
18
Jan
2007

O Banco do Undisclosed-Recipient

Por: Juliana Padron

Acredito que todos tenham visto ou ouvido falar sobre a nova campanha do Banco do Brasil, que trocou a fachada de 300 agências para exibir “Banco do Bruno”, “Banco do João”, Banco da Maria” etc. O fato é que, além da troca da fachada, os usuários que acessacem suas contas no site do banco, veriam seu nome exibido no topo. Alguns classificaram a campanha como “idéia brilhante”, outros como fracasso. Decorridos alguns dias do alvoroço, quais foram os impactos sobre a marca do Banco do Brasil? Vejamos:

  • Site fora do ar;
  • Call centers congestionados;
  • Usuários achando que: seus computadores foram invadidos, o site do banco foi hackeado, foi uma falta de respeito e de ética do Banco ao ter “divulgado” seus nomes na Internet;
  • Sindicato dos Bancários protestando contra a descaracterização do banco, por acreditarem que se trata de um pretexto para o início de sua privatização (!);
  • A rádio CBN divulgou reclamações de usuários que não gostaram da nova campanha;
  • Pessoal do sistema corrigindo a “falha” do marketing;
  • Os funcionários achando que foi um desperdício de dinheiro e muito desrespeitoso descaracterizar uma marca que, em 2008, completa 200 anos. Aliás, o objetivo da campanha é mesmo celebrar os 200 anos de BB.

Pergunto: será que a agência responsável (Artplan) pela campanha pesquisou a fundo o perfil do público do Banco do Brasil? E será que a agência conversou com funcionários do BB para coletar opiniões? Afinal, eles representam a instituição no contato direto com os clientes. Pesquisa de opinião e levantamento de perfil de público-alvo são fundamentais para o sucesso (ou fracasso) de qualquer novo produto, serviço, campanha ou seja lá o que for que implicará em impacto público.

O Brasil ainda não está preparado para uma destituição da formalidade visual dos bancos, como ocorre em instituições da Espanha e da Argentina. O Unibanco pretendia alcançar este patamar da “jovialidade e informalidade” transmitida por sua nova identidade e com o novo slogan do “Nem parece banco”. Essas coisas acontecem aos poucos, e deve-se educar e orientar o usuário (cliente) antes de tudo.

Só não se pode negar o aspecto viral da coisa. O BB ficou bem falado nestes dias que sucederam a campanha, com publicidade gratuita em blogs, fóruns e listas de discussão. A tal campanha, intitulada “Todo seu”, tem o objetivo de aproximar a instituição de seus clientes e dizer que o Banco foi feito especialmente para você. Bem, propaganda é tudo nessa vida, mas as pessoas estão espertas: um slogan bonitinho não vai conquistar clientes, mas um serviço atraente e vantajoso, sim. O Banco do Brasil poderia investir mais em treinamento de funcionários que não fazem um atendimento lá essas coisas – seja para pessoa física ou jurídica – e, ainda, desburocratizar alguns processos que atrapalham a vida de muitos clientes.

Ah, tecnicamente, ainda dizem que o sistema do Banco do Brasil que faz exibir o nome do correntista com a mesma tipografia da identidade visual do banco, foi baseado em POG (Programação Orientada a Gambiarras): Irapuan Martinez disse no Google Grupos:

Sabem aquelas rotinas server-side que invoca bibliotecas gráficas e publicam um arquivo de imagem com informações textuais dinâmicas? Não usaram nada disso. O Banco do Irapuan é um image slicing com 16 imagens, uma para cada letra. Usar Flash seria menos POG do que isso. Ou quem sabe, usar texto. Mas aí seria pecado no céu dos web designers.”

E a troca das fachadas não passa de adesivos de PVC que são retirados facilmente. Afinal, o povo não pode se sentir tão importante assim. V de Vingança neles.

1 Resposta para “O Banco do Undisclosed-Recipient”

  1. Blog da Juliana Padron [julliejoe] » Blog Archive » Web 2.0 disse:

    [...] « Banco do Undisclosed-Recipient Isso não tem usabilidade » 19 Jan [...]

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